


Não há alternativas
Roberto “Pico” Lopes virou um dos exemplos mais curiosos da relação entre futebol e Copa do Mundo. O zagueiro de Cabo Verde revelou que quase ignorou o primeiro contato da seleção africana, feito em 2018 por meio do LinkedIn, e só passou a levar a mensagem a sério depois de uma nova tentativa, desta vez em inglês. A história, que hoje chama atenção pelo desfecho, começou com uma dúvida simples: ele achou que se tratava de spam.
Na época, o então técnico de Cabo Verde, Rui Águas, havia identificado que o defensor tinha ascendência cabo-verdiana por parte do pai e quis saber se ele teria interesse em defender a seleção nacional. A abordagem, porém, chegou em português. Sem dominar o idioma e acostumado a usar a plataforma apenas para assuntos acadêmicos e profissionais, Lopes desconfiou do contato e não respondeu de imediato.
O próprio jogador contou que pensou estar diante de uma tentativa de golpe. A mensagem foi ignorada até que a federação cabo-verdiana insistiu e enviou um novo recado meses depois, agora em inglês. Foi esse segundo contato que abriu caminho para a convocação e para a presença do zagueiro no cenário internacional, em uma trajetória incomum até o maior palco do futebol mundial.
O caso ganha relevância em 2026, ano de Copa do Mundo, porque ajuda a ilustrar como seleções fora do eixo tradicional também recorrem à identificação de atletas com dupla nacionalidade ou vínculos familiares para ampliar opções no elenco. Em um calendário em que a disputa por vagas e a montagem de grupos ganham peso, histórias como a de Roberto “Pico” Lopes mostram que o caminho até uma seleção pode começar longe dos gramados e até mesmo em uma rede social voltada ao mercado de trabalho.
Em entrevista ao site da Fifa, o zagueiro resumiu a situação com bom humor ao dizer que achou a mensagem um spam e que deveria ter usado o Google Tradutor antes. A frase ajuda a dimensionar o caráter improvável do episódio, mas também reforça um ponto importante: a comunicação entre federações e jogadores pode ser decisiva quando há interesse real em contar com atletas elegíveis para defender um país.
Para Cabo Verde, a história de Lopes representa mais do que uma curiosidade. Ela simboliza a busca por reforços com identidade ligada ao país e a construção de uma seleção que tenta se afirmar em competições internacionais. Para o jogador, foi o início de uma oportunidade que ele quase deixou passar por desconfiança e barreira de idioma.
O episódio também dialoga com o momento do futebol global, em que seleções monitoram perfis espalhados por diferentes ligas e mercados. Em ano de Copa do Mundo, qualquer detalhe pode fazer diferença na formação de um elenco, e a trajetória de Roberto “Pico” Lopes mostra que uma convocação pode nascer de uma mensagem quase ignorada.

Enviado a 41 minutos atrás
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