


Não há alternativas
A Apple aumentou os preços de oito produtos importantes depois da disparada no custo dos chips de memória, um efeito que o CEO Tim Cook já havia descrito como uma “enchente de cem anos”. O reajuste atinge linhas como MacBook Air, MacBook Pro, iPads, iMacs e Mac Studio, em um movimento que mostra como a pressão sobre componentes usados em inteligência artificial já começa a chegar ao consumidor final.
Segundo a informação divulgada, o MacBook Air passou a custar a partir de US$ 1.299, alta de US$ 200. O MacBook Pro agora parte de US$ 1.999, com aumento de US$ 300. Em alguns modelos de iPad, iMac e Mac Studio, os reajustes chegam a US$ 1.300, refletindo a escalada dos custos de memória em toda a cadeia.
O problema, porém, vai muito além da Apple. Data centers voltados para IA estão consumindo volumes enormes de DRAM e HBM, o que apertou a oferta global desses chips. Mais de 90% da produção mundial de memória está concentrada em Samsung, SK Hynix e Micron, um nível de concentração que ajuda a explicar a pressão sobre preços e disponibilidade.
Na prática, enquanto empresas de IA continuam comprando praticamente todo chip disponível, fabricantes de eletrônicos de consumo acabam pagando mais pelos mesmos componentes. Parte desse custo vem sendo repassada aos clientes, o que começa a alterar a precificação de dispositivos usados no dia a dia.
O movimento reforça um efeito colateral importante do avanço da inteligência artificial: a tecnologia não está impactando apenas as companhias que desenvolvem modelos e infraestrutura, mas também o mercado de eletrônicos em geral. Se a escassez de memória persistir, a tendência é que a pressão sobre preços continue influenciando outras categorias de produtos.

Enviado a 2 dias atrás
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