


Não há alternativas
O Brasil subiu para a 124ª posição no ranking global de paz de 2026, em um levantamento que avaliou 163 países e territórios com base em 23 indicadores ligados à violência, aos gastos militares e à percepção de segurança. O resultado coloca o país na faixa intermediária do índice, enquanto a Islândia manteve a liderança mundial pelo 19º ano consecutivo.
O relatório foi divulgado em junho e faz parte da edição mais recente do Global Peace Index, uma das referências internacionais para medir o nível de მშვიდade entre os países. A classificação considera três grandes áreas: segurança social, conflitos internos e externos em andamento e grau de militarização. Na prática, o índice tenta medir não só a presença de violência, mas também fatores que ajudam a explicar por que alguns países são mais estáveis do que outros.
No caso brasileiro, a posição 124ª mostra que o país continua entre os menos pacíficos do levantamento, embora tenha avançado em relação à faixa anterior. O relatório indica que o Brasil passou de um grupo classificado como “baixo” para outro de nível “médio”, o que sugere melhora relativa no comparativo internacional. Ainda assim, a colocação segue distante das nações mais bem avaliadas e reforça a persistência de desafios ligados à segurança pública, à violência letal e à percepção de risco.
A liderança da Islândia também chama atenção por outro motivo: o país aparece no topo do ranking há quase duas décadas seguidas. No relatório de 2026, a nação nórdica registrou melhora de 2% no índice, impulsionada pela baixa militarização, pela ausência de forças armadas permanentes e por indicadores sociais associados a menor nível de violência. O documento também relaciona o desempenho islandês a políticas de igualdade e ao uso de energia renovável, elementos que ajudam a compor um ambiente de estabilidade institucional e social.
O Global Peace Index de 2026 avaliou 163 países e territórios e usou 23 indicadores para compor a nota final. Entre os critérios estão mortes por conflitos, manifestações violentas, gastos militares, acesso a armas, relações com países vizinhos e sensação de segurança da população. O índice é produzido pelo Institute for Economics & Peace e costuma ser acompanhado por governos, pesquisadores e organizações internacionais interessados em comparar tendências de paz e conflito ao redor do mundo.
A edição deste ano também aponta um cenário global mais difícil. O relatório afirma que a paz mundial piorou pelo 12º ano consecutivo, em meio ao aumento de conflitos armados e à expansão dos gastos militares. O documento destaca ainda que há mais conflitos estatais ativos do que em qualquer momento desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que mesmo países com avanços pontuais ainda enfrentam dificuldade para subir de forma consistente no ranking.
Para o Brasil, o dado mais relevante não é apenas a posição em si, mas o que ela representa em termos comparativos. Estar na 124ª colocação significa permanecer em um grupo de países com níveis de violência e insegurança acima da média global. Em rankings desse tipo, pequenas variações de posição podem refletir mudanças em indicadores específicos, como homicídios, conflitos internos, protestos violentos ou percepção de segurança, sem necessariamente indicar uma transformação estrutural imediata.
A leitura do relatório também exige cautela. O índice mede tendências amplas e não substitui diagnósticos nacionais mais detalhados sobre segurança pública, criminalidade e violência urbana. Ainda assim, ele funciona como um termômetro internacional importante, especialmente porque permite comparar o desempenho de países em diferentes regiões e contextos econômicos.
No topo da lista, a permanência da Islândia reforça a distância entre os países mais pacíficos e aqueles que convivem com níveis mais altos de violência. Já o avanço brasileiro, embora modesto, indica uma melhora relativa dentro de um cenário ainda desafiador. O resultado deve ser lido como um retrato do momento, não como uma mudança definitiva na posição do país no mapa da paz.

Enviado a 1 mês atrás
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