


Não há alternativas
A Cinemark implementou uma estratégia polêmica para cumprir a Cota de Tela, regra que obriga as exibidoras a reservarem uma parte de suas programações para produções brasileiras. Desde o início de maio de 2026, a rede passou a exibir o filme “Zuzubalândia” até 114 vezes por dia em São Paulo. Essa medida tem gerado debates sobre a eficácia e a ética das práticas adotadas pelas salas de cinema.
Na quarta-feira, dia 6 de maio, por exemplo, muitas sessões do longa-metragem foram realizadas em horários como 11h e 14h45, quando a presença de público nas salas era praticamente nula. Segundo funcionários da rede, a orientação interna é utilizar “Zuzubalândia” para acelerar o cumprimento da meta estabelecida pela Cota de Tela. Até o momento, o filme teve 17.237 exibições apenas na Cinemark, mas atraiu apenas 1.882 espectadores em todo o período.
Vale destacar que “Zuzubalândia”, com uma duração de apenas uma hora, é classificado como média-metragem. Esta classificação é utilizada pela cinematográfica para contornar as exigências da Ancine — a Agência Nacional de Cinema — que atualmente avalia se as exibições devem ser contabilizadas para atender à cota. Essa situação lança luz sobre uma brecha na legislação que muitos consideram insustentável.
A manobra da Cinemark levanta preocupações sobre a real promoção do cinema nacional. Especialistas e críticos destacam que a utilização de estratégias como essa pode não beneficiar o mercado cinematográfico, além de não refletir o interesse do público por produções nacionais. A repercussão da ação da rede já começa a se manifestar nas redes sociais, onde usuários discutem o impacto negativo que a estratégia pode ter sobre a diversidade de filmes apresentados nas salas de cinema.
Com a medida, a Cinemark se coloca no centro de um debate mais amplo sobre como as exibições de produções brasileiras podem ser motivadas e, principalmente, como o cinema nacional pode conquistar a atenção do público de maneira eficaz. O desdobramento dessa situação e as possíveis respostas da Ancine e do setor cinematográfico serão observados de perto nos próximos meses. Assim, o que se espera é uma revisão nas políticas de exibição ou uma atualização nas regras das cotas, sempre buscando um equilíbrio entre a promoção do cinema nacional e a satisfação do público nas salas de cinema.

Enviado a 4 semanas atrás
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