


Não há alternativas
Um documento federal de ética revelou que uma conta em nome de Donald Trump adquiriu entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões em ações da Axon no dia 10 de fevereiro de 2026. Pouco mais de duas semanas depois, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) publicou um edital para um contrato de cinco anos no valor de US$ 220 milhões para fornecimento de armas de choque.
Embora o contrato ainda não tenha sido adjudicado e não haja comprovação de uso de informação privilegiada, as especificações do edital indicam que o equipamento solicitado é muito semelhante à linha TASER 10, produto da Axon. A empresa já é fornecedora do ICE e domina cerca de 90% do mercado norte-americano de armas de energia condutiva.
O relatório também aponta negociações menores de ações da Axon feitas pela mesma conta ao longo do trimestre, mas o destaque é justamente a compra expressiva realizada em 10 de fevereiro, que ocorreu pouco antes da divulgação do edital do ICE. A Casa Branca afirmou que a conta é gerida por instituições financeiras terceirizadas e que Trump não tem controle direto sobre as operações específicas de compra e venda de ativos. Especialistas em ética, no entanto, observam que este arranjo não configura um verdadeiro blind trust.
O caso levanta questionamentos não apenas pela operação financeira em si, mas principalmente pelo momento em que ela foi realizada, próximo à publicação de um contrato governamental que parece direcionado a uma única empresa. A situação reforça o debate sobre transparência e conflitos de interesse envolvendo figuras públicas e investimentos no mercado privado.

Enviado a 6 horas atrás
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