


Não há alternativas
A Coreia do Sul vai ampliar de forma acelerada o treinamento de seus militares para o uso de drones, em um plano que o governo descreve como parte da adaptação das Forças Armadas à guerra moderna. A proposta do ministro da Defesa, Ahn Gyu-back, é fazer com que todos os soldados aprendam a operar esses equipamentos como uma espécie de “segunda arma pessoal”.
O anúncio foi feito em meio à revisão da estratégia militar sul-coreana, que busca responder ao avanço do uso de drones em conflitos recentes e ao aumento da capacidade aérea não tripulada da Coreia do Norte. A ideia é que o treinamento deixe de ser restrito a unidades especializadas e passe a fazer parte da formação mais ampla dos efetivos.
Pelo plano apresentado, o Exército sul-coreano pretende distribuir 11 mil drones de treinamento ainda neste ano e chegar a 60 mil unidades até 2029. A meta é permitir que o uso desses equipamentos se torne rotina entre os militares, em vez de uma habilidade concentrada em grupos específicos. Em declarações públicas, Ahn Gyu-back defendeu que os soldados sejam preparados para operar drones com a mesma naturalidade com que lidam com armas convencionais.
A iniciativa também envolve uma reorganização da estrutura já existente para operações com drones. O antigo comando dedicado ao tema deve ser ajustado para ampliar a cooperação com a indústria, o que indica uma tentativa de aproximar o setor militar de fabricantes e desenvolvedores de tecnologia. Na prática, o governo quer acelerar a incorporação de sistemas mais baratos, mais numerosos e mais fáceis de treinar.
A mudança ocorre em um momento em que Seul vem reforçando a defesa contra drones e investindo em novas capacidades de vigilância e ataque. A preocupação com esse tipo de ameaça cresceu nos últimos anos, especialmente diante do uso cada vez mais frequente de aeronaves não tripuladas em zonas de conflito e em operações de reconhecimento. Para a Coreia do Sul, o tema ganhou peso adicional por causa da tensão permanente com o Norte.
O número de 450 mil soldados citado no plano ajuda a dimensionar a ambição da medida. A proposta não mira apenas uma elite operacional, mas praticamente toda a estrutura militar ativa do país. Isso representa uma mudança de doutrina: em vez de tratar drones como ferramenta auxiliar, o governo quer colocá-los no centro do treinamento básico.
A estratégia também tem um componente industrial. Ao ampliar a compra e a distribuição de drones de treinamento, o Ministério da Defesa tenta criar escala para o setor e acelerar a produção de modelos mais adequados ao uso militar. A cooperação com empresas do ramo deve ser importante para sustentar o plano até 2029, prazo em que o governo espera consolidar a nova fase do programa.
O movimento sul-coreano acompanha uma tendência observada em diferentes exércitos, que passaram a ver drones como parte essencial do campo de batalha. Em guerras recentes, esses equipamentos foram usados para reconhecimento, ataque, correção de tiro e vigilância, alterando a forma como tropas se protegem e se movimentam. No caso da Coreia do Sul, a aposta é que a familiaridade em massa com a tecnologia aumente a capacidade de resposta das forças armadas.
Ainda assim, o plano depende de execução contínua, orçamento e adaptação de treinamento. Transformar centenas de milhares de militares em operadores minimamente preparados exige logística, manutenção, reposição de equipamentos e integração com outras áreas da defesa. Por isso, o cronograma até 2029 será decisivo para medir se a proposta ficará restrita ao anúncio ou se de fato mudará a rotina das Forças Armadas sul-coreanas.

Enviado a 9 horas atrás
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