


Não há alternativas
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 81,6% em maio, o maior nível já registrado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O avanço foi de 0,7 ponto percentual em relação a abril e marca a quinta alta mensal seguida, em um cenário que segue pressionando o orçamento doméstico e reforçando a preocupação com o crédito no país.
Na comparação com maio de 2025, quando a taxa estava em 78,2%, o aumento mostra que mais lares passaram a conviver com algum tipo de dívida ao longo de um ano. O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade citada pelas famílias endividadas, apontado por 84,6% dos entrevistados, o que ajuda a explicar a persistência do problema mesmo em meio ao esforço de parte dos consumidores para reorganizar as contas.
A inadimplência também teve leve alta no período, passando de 29,7% em abril para 29,9% em maio. Embora a variação seja pequena, o dado indica que a dificuldade para honrar compromissos financeiros continua elevada. Dentro desse quadro, a parcela de famílias que se consideram “muito endividadas” subiu para 17%, o maior patamar desde junho de 2024, segundo a CNC.
Ao mesmo tempo, o comprometimento médio da renda com dívidas recuou para 29,3%. Na prática, isso sugere que, mesmo com mais famílias endividadas, a fatia da renda destinada ao pagamento de débitos ficou um pouco menor no mês. Ainda assim, o nível segue alto e mantém o tema no centro da atenção de consumidores, varejo e instituições financeiras.
Os números reforçam um retrato de pressão contínua sobre o consumo das famílias brasileiras. Quando o endividamento cresce e a inadimplência avança, o espaço para novas compras tende a ficar mais restrito, o que pode afetar desde despesas do dia a dia até decisões maiores, como aquisição de bens duráveis. Para a economia, esse tipo de movimento costuma ser acompanhado de perto porque influencia a atividade do comércio e a capacidade de recuperação da renda.
A leitura dos dados da CNC também ajuda a dimensionar a fragilidade financeira de parte da população em 2026, especialmente em um ambiente em que o crédito segue sendo usado como complemento de renda por muitos consumidores. O quadro não indica, por si só, uma ruptura imediata, mas mostra que o problema permanece disseminado e ainda sem sinal claro de alívio consistente.

Enviado a 1 semana atrás
Não há alternativas
Não há alternativas
Não há alternativas
