


Não há alternativas
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro, do PL de São Paulo, está no centro de uma controvérsia após um protesto realizado em 18 de março de 2026, no qual ela pintou o rosto de marrom durante um discurso na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O ato, realizado para manifestar-se contra a escolha de Érika Hilton, do PSOL, para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, gerou uma série de reações contrárias e pedidos de investigação.
Eleita em 2022 com 65.497 votos, Fabiana Bolsonaro se autodeclarou parda nas eleições para ter acesso à cota racial, recebendo um montante de R$ 1.593,33 do fundo eleitoral. O protesto levantou questionamentos sobre a sua autodeclaração, levando a deputada Mônica Seixas, do PSOL, a apresentar um pedido de cassação do registro da candidatura de Fabiana ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando fraude à cota racial. Além disso, 19 deputados de partidos como PT, PCdoB, PSOL e PSB assinaram representações por quebra de decoro parlamentar, enquanto a bancada do PSOL encaminhou questões ao Conselho de Ética da Alesp.
As deputadas do PSOL também registraram notícias-crime por racismo e transfobia junto ao Ministério Público Federal (MPF) e um boletim de ocorrência à Polícia Civil. Em contrapartida, Fabiana Bolsonaro negou ter cometido blackface, caracterizando as acusações como mentirosas e alegando que seu ato foi distorcido pela oposição. A parlamentar defende que sua candidatura foi aprovada pela Justiça Eleitoral sem ressalvas.
A situação levanta importantes discussões sobre a política de cotas raciais e seu uso, bem como os limites da liberdade de expressão em manifestações públicas. O desdobramento deste caso pode ter repercussões significativas no âmbito legislativo, com a possibilidade de revisões nas regras de autodeclaração para a cota racial e um debate mais amplo sobre racismo e respeito às identidades de gênero nas esferas política e social.

Enviado a 4 meses atrás
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