


Não há alternativas
O volume de encomendas internacionais registrou um aumento expressivo em junho de 2026, mês que marcou o primeiro período completo após o fim da cobrança do imposto de importação conhecido como “taxa das blusinhas”. De acordo com dados da Receita Federal, foram contabilizadas 28,36 milhões de remessas, um crescimento de 118% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Além disso, o número representa alta de 72% em comparação com abril de 2026 e 84% acima da média dos quatro primeiros meses do ano.
A “taxa das blusinhas” correspondia a um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que foi zerado por meio de uma medida provisória editada em maio de 2026. Apesar da suspensão da cobrança, a isenção ainda depende de aprovação definitiva pelo Congresso Nacional para se tornar permanente. Enquanto isso, o cenário permanece em desenvolvimento, com debates intensos entre diferentes setores da economia.
O varejo brasileiro tem manifestado preocupação com o impacto da medida, apontando para uma possível queda nas vendas internas e riscos ao emprego no setor. Por outro lado, associações de importadores e plataformas digitais defendem a manutenção da isenção, argumentando que o aumento das encomendas é uma reação natural à redução da tributação e pode beneficiar o consumidor final com mais opções e preços competitivos.
É importante destacar que, mesmo com o fim do imposto federal sobre essas pequenas importações, os estados continuam aplicando o ICMS sobre as remessas internacionais. Além disso, está prevista a retomada da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2027, o que poderá alterar novamente o cenário tributário para compras realizadas no exterior.
A alta nas encomendas internacionais reflete um movimento significativo no comércio eletrônico e nas relações de consumo do Brasil em 2026, evidenciando a complexidade das políticas tributárias e seus efeitos sobre diferentes segmentos do mercado. A decisão final do Congresso sobre a medida provisória será determinante para o futuro dessa dinâmica e para o equilíbrio entre incentivo ao comércio internacional e proteção da indústria e do varejo nacionais.

Enviado a 11 horas atrás
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