


Não há alternativas
Gary Neville criticou a Fifa após a polêmica envolvendo um pênalti marcado para a Suíça no empate com o Qatar, em jogo da Copa do Mundo de 2026. O ex-lateral da seleção inglesa acusou a entidade de falta de transparência ao não exibir de forma clara a análise do VAR, e classificou a situação como “ridícula”.
A discussão começou depois de uma jogada contestada na área, que levou à marcação da penalidade para os suíços. A decisão gerou forte reação durante a transmissão e rapidamente virou um dos principais assuntos da rodada, com questionamentos sobre o uso do árbitro de vídeo e sobre a forma como a revisão foi comunicada ao público.
Neville, que atuava como comentarista, foi um dos mais duros nas críticas. Em sua avaliação, a Fifa estaria escondendo informações sobre o processo de revisão, o que, na visão dele, compromete a credibilidade da arbitragem. A comparação com uma “ditadura” foi usada pelo ex-jogador para reforçar o tom da cobrança, em uma fala que ampliou ainda mais a repercussão do lance.
A controvérsia ganhou força porque o VAR, criado justamente para reduzir erros claros, voltou ao centro do debate em um momento em que a Fifa tem ampliado o uso da tecnologia em competições oficiais. Nos últimos dias, a própria entidade e a comissão responsável pelas regras do futebol aprovaram ajustes no protocolo para a Copa do Mundo, incluindo novas possibilidades de intervenção do vídeo em lances específicos. Isso tornou a discussão sobre transparência ainda mais sensível, já que a expectativa do público é de que a ferramenta ajude a esclarecer decisões, e não a aumentar a desconfiança.
No caso da Suíça, a principal reclamação não se limitou ao pênalti em si, mas ao modo como a revisão foi conduzida e apresentada. Parte da crítica de Neville e de outros observadores foi direcionada à ausência de imagens ou explicações mais detalhadas sobre o que levou a arbitragem a manter a marcação. Em jogos de grande visibilidade, esse tipo de dúvida costuma se espalhar rapidamente e pressiona a organização do torneio a dar respostas mais claras.
A Fifa, por sua vez, ainda não havia apresentado uma manifestação pública detalhada sobre a acusação feita por Neville no momento em que a polêmica se intensificou. Em torneios desse porte, a entidade costuma defender a integridade do processo de arbitragem e a autonomia dos árbitros, mas episódios como esse alimentam a cobrança por mais abertura na divulgação das checagens do VAR.
A partida entre Suíça e Qatar também entrou para a lista de jogos marcados por decisões discutidas nesta Copa do Mundo. Em campo, o resultado teve impacto direto na tabela e no andamento da competição, mas a conversa fora das quatro linhas acabou dominando a repercussão. Para a Fifa, o episódio representa mais um teste de confiança em um sistema que segue sendo alvo de elogios e críticas em igual medida.
Neville, que há anos se posiciona de forma contundente sobre temas ligados à governança do futebol, voltou a usar um tom duro ao tratar da entidade máxima do esporte. A fala dele não altera o resultado da partida, mas ajuda a medir o tamanho do incômodo provocado por uma decisão que, para muitos, deveria ter sido explicada com mais clareza.
Em Copas do Mundo, a pressão por decisões rápidas e precisas sempre foi alta. Com o VAR, essa cobrança mudou de forma, mas não desapareceu. Agora, além de acertar o lance, a arbitragem também precisa convencer o público de que o processo foi transparente. Foi exatamente essa confiança que ficou em xeque após a polêmica envolvendo Suíça e Qatar.

Enviado a 1 mês atrás
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