


Não há alternativas
Juliano Cazarré, conhecido ator brasileiro, gerou polêmica durante um debate sobre masculinidade transmitido pela GloboNews na terça-feira, 12 de janeiro de 2026, ao defender o projeto “O Farol e a Forja”, que ele descreveu como “o maior encontro de homens do Brasil”. Durante a conversa, Cazarré fez afirmações que foram rapidamente contestadas por pesquisadores e veículos de checagem de fatos.
O ator alegou que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres”, citando cifras que afirmam que 2.500 homens foram assassinados por mulheres, enquanto 1.500 mulheres foram assassinadas por homens. A psicanalista Vera Iaconelli, presente no debate, questionou as fontes desses dados, afirmando não ter conhecimento sobre eles.
Os números apresentados por Cazarré parecem ter origem em um vídeo viral no TikTok, que menciona que em 2024, o Brasil registrou 46 mil homicídios de homens em crimes violentos, alegando que 6% desses casos teriam sido perpetrados por parceiras. Essa infeliz mistura de estatísticas, de acordo com verificadores como o portal G1, não considera o contexto da violência urbana brasileira, onde homens são de fato as principais vítimas e autores de crimes.
Ainda segundo estatísticas, em 2025, o Brasil alcançou um recorde de feminicídios, com 1.470 casos registrados, tornando-se o ano mais letal para mulheres desde a tipificação do crime em 2015. Isso representa uma média alarmante de quase quatro mulheres assassinadas por dia no país, o que coloca em evidência a gravidade da violência de gênero.
A repercussão das declarações de Cazarré chamou a atenção para a importância da responsabilidade ao compartilhar informações, especialmente em um tema tão delicado quanto a violência de gênero. O debate sobre masculinidade e a necessidade de encontros que promovam a reflexão entre homens é legítimo, mas é crucial que as discussões sejam pautadas em dados precisos e contextualizados para evitar a propagação de desinformação. O episódio evidencia as tensões e desafios no panorama atual sobre a violência e as relações de gênero no Brasil, que continua a lutar contra índices preocupantes de agressão e feminicídio.

Enviado a 3 semanas atrás
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