


Não há alternativas
Marco Rubio respondeu com dureza à ofensiva de Flávio Bolsonaro contra a nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e deixou claro que Washington não pretende recuar. Na carta datada de 23 de junho, o secretário de Estado agradece o apoio do senador, mas rejeita o apelo para suspender as medidas e afirma que as práticas comerciais do Brasil seguem sendo vistas pelo governo americano como um problema para os interesses dos EUA.
A correspondência é uma nova etapa de uma disputa que ganhou força no início de junho, quando o governo Donald Trump anunciou a proposta de impor uma tarifa de 25% sobre diversas exportações brasileiras. A medida foi apresentada como resposta a uma série de queixas ligadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O tema passou a ocupar o centro da relação bilateral e abriu espaço para uma troca de acusações entre Brasília e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No texto, Rubio também critica o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e amplamente usado no Brasil. A menção ao mecanismo aparece no contexto das alegações de que determinadas políticas brasileiras estariam restringindo ou onerando o comércio norte-americano. A inclusão do Pix na discussão chamou atenção porque o sistema se tornou um símbolo de inovação financeira no país e, até aqui, não integrava formalmente a mesa de negociação comercial, segundo autoridades brasileiras.
A carta enviada ao senador reforça a leitura de que a Casa Branca mantém a pressão sobre o governo brasileiro, apesar das tentativas de interlocução política feitas por aliados de Bolsonaro. Flávio, que é senador pelo PL e pré-candidato à Presidência, havia feito uma ofensiva diplomática no começo do mês para tentar barrar a aplicação das tarifas. A resposta de Rubio, porém, indica que o pedido não encontrou abertura no Departamento de Estado.
O episódio também expõe o peso político da família Bolsonaro na crise. Nos últimos dias, o governo Lula passou a responsabilizar o entorno do ex-presidente pela deterioração da relação com Washington, especialmente após manifestações públicas de apoio à postura adotada pelos Estados Unidos. A estratégia do Planalto foi associar a defesa das tarifas a uma atuação política de adversários do governo brasileiro no exterior.
A proposta tarifária ainda está em fase de análise nos Estados Unidos. O Escritório do Representante de Comércio abriu prazo para comentários sobre a medida e marcou audiência pública para 6 de julho. Isso significa que o processo não está encerrado, embora a carta de Rubio mostre que a posição do governo americano, por ora, segue firme. Em Brasília, a avaliação é de que a disputa pode afetar uma fatia relevante das exportações brasileiras, com impacto potencial sobre setores industriais e do agronegócio.
A reação de Rubio também ocorre em um momento em que o nome de Flávio Bolsonaro vem sendo associado à articulação política em Washington. O senador esteve nos Estados Unidos em agenda que incluiu encontros com autoridades e aliados do governo Trump, em meio à tentativa de influenciar a discussão sobre o Brasil. A carta, ao agradecer o apoio e ao mesmo tempo rejeitar o pedido, mostra que a interlocução existe, mas não produziu o efeito esperado pelo parlamentar.
Para o governo brasileiro, o caso amplia a pressão em duas frentes: a diplomática e a comercial. Se as tarifas forem confirmadas, empresas exportadoras podem enfrentar custos maiores para vender ao mercado americano, um dos mais importantes para o país. Ao mesmo tempo, o debate passou a ter forte componente político, com reflexos na disputa interna brasileira e na relação entre o governo Lula e a oposição ligada a Bolsonaro.
Até aqui, o que se sabe é que os Estados Unidos mantêm a proposta de taxação, o Brasil tenta reverter a medida e Flávio Bolsonaro virou peça central dessa disputa. A carta de Marco Rubio, ao rejeitar o apelo do senador, deixa claro que a negociação continua aberta, mas sem sinal de recuo imediato por parte de Washington.

Enviado a 1 dia atrás
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