


Não há alternativas
O Ministério da Justiça e Segurança Pública identificou pelo menos 132 suspeitos de envolvimento com crimes digitais ligados ao extremismo, ao discurso de ódio e à incitação à violência em 21 unidades da Federação entre janeiro e maio de 2026. O levantamento, feito com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas, o Ciberlab, indica que a atuação do grupo tem se concentrado em diferentes frentes de monitoramento e investigação, com maior volume de casos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
De acordo com a apuração divulgada pelo ministério, o Ciberlab apoiou ao menos 10 operações policiais no período. A mais recente ocorreu na sexta-feira, 19 de junho, em Jaraguá, em Goiás, contra um adolescente apontado como responsável por coordenar grupos extremistas. O caso reforça a preocupação das autoridades com a participação de menores de idade em ambientes digitais usados para disseminar conteúdo violento.
Segundo o delegado Paulo Henrique Benelli, coordenador do Ciberlab, os investigados têm entre 9 e 35 anos. A faixa etária chama atenção porque mostra que a rede de aliciamento e circulação desse tipo de conteúdo alcança tanto crianças quanto adultos, com adolescentes aparecendo com frequência na propagação de mensagens e materiais ligados à violência. Entre os conteúdos monitorados estão desafios de automutilação e estímulos à prática de crimes.
O trabalho do laboratório envolve o acompanhamento de ambientes como deep web, dark web e grupos abertos em plataformas digitais. A partir desse monitoramento, o Ciberlab produz relatórios de inteligência que são encaminhados às polícias, ajudando na identificação de ameaças e na abertura de investigações. A atuação também inclui ações preventivas voltadas a evitar ataques a escolas e outros crimes digitais.
O avanço dessas apurações ocorre em um momento em que autoridades de segurança pública têm ampliado o foco sobre comunidades virtuais usadas para radicalização, recrutamento e circulação de ameaças. Embora o número de suspeitos e operações indique uma atuação mais intensa do Estado, os dados divulgados pelo Ministério da Justiça se referem a investigações e ações em andamento, sem detalhar conclusões finais sobre todos os casos.
A movimentação do Ciberlab mostra que o combate ao extremismo digital passou a exigir monitoramento contínuo e integração entre inteligência e polícia judiciária. Com casos espalhados por diferentes estados e perfis etários variados, o tema segue no centro da agenda de segurança pública e deve continuar gerando desdobramentos nas próximas apurações.

Enviado a 1 hora atrás
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