


Não há alternativas
O PL decidiu apoiar o fim da escala 6×1 e levar ao debate uma proposta mais ousada: a adoção da jornada 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 26 de maio, pelo líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante, em meio à discussão da PEC que trata da redução da jornada semanal.
A movimentação do partido ocorre às vésperas da votação do parecer na comissão especial da Câmara e altera a correlação de forças em torno de um tema que vinha sendo tratado como uma das pautas mais sensíveis da agenda trabalhista. O texto em análise, relatado por Leo Prates, propõe a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, com transição de 14 meses e dois dias de descanso por semana, um deles preferencialmente aos domingos.
Ao anunciar a posição da bancada, Sóstenes afirmou que o partido quer transformar a votação em um teste político para quem diz defender os trabalhadores. A estratégia, na prática, tenta reposicionar o PL no debate público depois de críticas e desgaste em torno da imagem da sigla sobre o tema. A defesa da escala 4×3, porém, não altera o conteúdo principal do parecer em discussão, que continua centrado na redução da jornada para 40 horas.
A proposta de 4×3 já aparecia em outra versão da discussão legislativa, apresentada pela deputada Erika Hilton, que previa limite de 36 horas semanais após um período de transição. No relatório de Leo Prates, essa formulação não foi incorporada como texto-base. O parecer unifica elementos de diferentes propostas e mantém como eixo a redução da carga horária com preservação dos salários.
Na prática, o movimento do PL tende a pressionar outros partidos a se posicionarem de forma mais clara sobre o alcance da mudança. A escala 6×1, em que o trabalhador atua seis dias e folga um, é alvo de críticas de sindicatos e de setores que defendem mais tempo de descanso e convivência familiar. Ao mesmo tempo, empresários e representantes de parte do setor produtivo costumam apontar preocupação com custos, reorganização de turnos e impacto na operação das empresas.
A votação da comissão especial é vista como etapa importante, mas não encerra a tramitação. Depois dessa fase, a proposta ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e, em seguida, pelo Senado. Ou seja, mesmo com avanço no colegiado, o texto ainda pode sofrer mudanças ao longo do caminho.
Nos bastidores, a disputa também envolve narrativa política. Ao apoiar o fim da escala 6×1 e defender a 4×3, o PL tenta ocupar um espaço que, até aqui, vinha sendo associado mais à esquerda e a movimentos trabalhistas. A aposta é que a legenda consiga se apresentar como defensora de uma pauta popular sem abrir mão de marcar posição própria no debate.
O relator Leo Prates tem sustentado que a redução da jornada deve ocorrer sem perda salarial e com transição para evitar choque imediato nas empresas. O presidente da Câmara, Hugo Motta, também já indicou que a redução para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 são pontos considerados inegociáveis na construção do texto final.
A discussão ganhou força nas últimas semanas e passou a mobilizar parlamentares, centrais sindicais e representantes de diferentes setores econômicos. Com a entrada do PL no bloco favorável ao fim da escala 6×1, a votação desta semana tende a medir não apenas a viabilidade da proposta, mas também a capacidade de articulação de cada bancada em torno de uma mudança que pode alterar a rotina de milhões de trabalhadores.

Enviado a 2 meses atrás
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