


Não há alternativas
Detentos tomaram o controle de um presídio na Venezuela neste domingo, em Barinas, e transformaram a unidade em palco de um protesto contra tortura e abusos dentro da prisão. A rebelião começou com presos ocupando o telhado do centro de internação judicial e queimando colchões e lençóis para chamar atenção para as denúncias.
A mobilização ocorreu no Centro de Internação Judicial de Barinas, no oeste do país, a cerca de 500 quilômetros da capital, Caracas. Imagens divulgadas por uma organização que monitora o sistema prisional venezuelano mostraram fumaça subindo da unidade enquanto os detentos gritavam por justiça e pediam a saída da direção do presídio.
Os presos afirmam que a revolta foi motivada por agressões cometidas por agentes penitenciários. Em vídeos compartilhados por essa organização, um detento aparece com ferimento no peito e diz que os guardas atiraram contra internos que protestavam de forma pacífica. Os relatos também apontam que alguns presos ficaram feridos durante a ação.
Entre as queixas apresentadas pelos detentos estão a retirada das roupas dos internos, a restrição de visitas e a pressão para a venda de drogas dentro da unidade. Eles também pediram a destituição do diretor recém-nomeado, identificado como Elvis Macuare Guerrero. Até o momento, as autoridades venezuelanas não haviam apresentado uma resposta pública imediata às acusações.
Do lado de fora do presídio, familiares dos presos tentaram impedir a entrada da Guarda Nacional e relataram ter ouvido gritos e explosões pouco depois de os agentes avançarem para a área da unidade. A tensão aumentou no entorno da prisão, enquanto a fumaça continuava visível sobre o complexo.
O episódio volta a colocar em evidência a situação do sistema carcerário venezuelano, frequentemente alvo de denúncias de superlotação, violência e controle informal por grupos internos. Nos últimos meses, o tema prisional ganhou ainda mais peso no país, em meio a medidas do governo para liberar parte dos detentos considerados presos por razões políticas.
A crise em Barinas também ocorre em um momento de forte escrutínio internacional sobre as prisões venezuelanas. Organizações de direitos humanos e entidades ligadas ao sistema penitenciário têm relatado, ao longo dos anos, episódios de maus-tratos, restrição de atendimento médico e uso excessivo da força em diferentes unidades do país. As denúncias, no entanto, variam de caso para caso e nem sempre são acompanhadas de confirmação oficial.
No caso de Barinas, os presos dizem que a revolta foi uma resposta direta ao que chamam de tortura e disparos contra internos desarmados. A versão ainda precisa ser apurada pelas autoridades e por organismos independentes. Até agora, não havia informação oficial sobre mortos, número exato de feridos ou eventual retomada completa do controle da unidade.
A situação também expõe a pressão sobre o governo venezuelano para responder a denúncias dentro do sistema penitenciário. Em outras ocasiões recentes, o país já enfrentou protestos de presos e familiares por melhores condições de detenção e por revisão de casos ligados a perseguição política. Em Barinas, porém, o foco imediato da revolta foi a denúncia de violência dentro da própria prisão.
Enquanto a apuração segue, o episódio deixa em aberto o tamanho da crise dentro da unidade e o impacto que a rebelião pode ter sobre outros presídios do país. O que já está claro é que a insatisfação dos detentos saiu das celas e ganhou as áreas externas do complexo, com imagens de fumaça, fogo e ocupação do telhado marcando mais um capítulo da instabilidade carcerária na Venezuela.

Enviado a 3 semanas atrás
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