


Não há alternativas
O Reino Unido vai proibir menores de 16 anos de usar as principais redes sociais a partir de 2027, em uma medida anunciada nesta segunda-feira, 15, pelo primeiro-ministro Keir Starmer. A restrição deve atingir plataformas como TikTok, Facebook, Instagram e X, enquanto aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, não entram na nova regra.
Segundo o governo britânico, a regulamentação deve ser concluída até o Natal, com efeitos práticos previstos para o início de 2027. O plano também prevê impedir que crianças e parte dos adolescentes façam transmissões ao vivo ou conversem com estranhos em jogos online. Além disso, o governo estuda impor toques de recolher noturnos para reduzir o chamado “uso infinito da internet” até os 18 anos e limitar o acesso de menores a chatbots de inteligência artificial, com mais detalhes prometidos para julho.
A decisão foi apresentada com base em uma pesquisa que apontou apoio de cerca de 90% dos pais à idade mínima de 16 anos. O levantamento também indicou que 85% dos entrevistados acreditam que os riscos das redes sociais superam os benefícios para crianças e adolescentes. Starmer afirmou que o uso excessivo dessas plataformas atrapalha tarefas escolares, leitura, brincadeiras com amigos e até o sono dos mais jovens.
O governo britânico diz ter se inspirado na proibição total adotada pela Austrália em dezembro de 2025, embora a proposta do Reino Unido tenha sido descrita como uma versão mais ampla e ajustada ao seu próprio modelo regulatório. A medida, no entanto, já enfrenta críticas. O YouTube afirmou que a restrição pode empurrar adolescentes para serviços anônimos e menos seguros, enquanto o líder da oposição, Nigel Farage, disse que a proposta é bem-intencionada, mas pode ser difícil de aplicar por causa do uso de VPNs.
A discussão também repercute fora do Reino Unido. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestou interesse em medidas semelhantes, enquanto hoje contas de menores de 16 anos precisam ser vinculadas a responsáveis legais. O debate reforça a pressão internacional por regras mais rígidas sobre o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais e ao ambiente digital, em um momento em que governos tentam equilibrar proteção, fiscalização e liberdade de uso.

Enviado a 1 hora atrás
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