


Não há alternativas
A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, ganhou um novo desdobramento após o relato de uma testemunha à polícia. O pedagogo Rafael Goulart afirmou ter visto funcionários da equipe organizadora retirarem a câmera GoPro presa ao corpo da jovem logo depois da queda, em uma cena que agora também é alvo de apuração.
Maria Eduarda morreu no sábado, 13 de junho, após cair de uma altura de cerca de 40 metros na chamada Ponte do Esqueleto. A investigação aponta que ela não estava devidamente conectada ao sistema de segurança no momento do salto. A Polícia Civil trata o caso como homicídio com dolo eventual, enquanto a defesa dos envolvidos ainda não apresentou uma versão pública detalhada sobre o episódio.
No relato dado à imprensa, Goulart disse que a primeira imagem que viu após o acidente foi a de funcionários mexendo na alça do pescoço da vítima para retirar a câmera. Ele afirmou não saber se a intenção era proteger o equipamento ou impedir o acesso às imagens registradas no momento do salto. Para a polícia, o desaparecimento da câmera é um ponto relevante porque o material poderia ajudar a esclarecer a sequência dos fatos.
A delegada responsável pelo caso confirmou que a perícia não localizou a GoPro no local do impacto e que a hipótese de destruição ou ocultação de provas está sendo investigada. Esse tipo de apuração costuma ser importante em ocorrências com morte, porque imagens e registros podem confirmar se houve falha humana, erro de procedimento ou outra irregularidade na execução da atividade.
Três instrutores foram presos em flagrante após o acidente. Eles são apontados pela investigação como responsáveis pela operação do salto. A polícia ainda tenta reconstruir exatamente como a atividade foi conduzida, quem tinha a função de prender os equipamentos de segurança e em que momento a falha ocorreu. Em casos como esse, a definição de responsabilidade depende da análise de depoimentos, laudos periciais e eventuais imagens gravadas por participantes ou pela própria equipe.
O rope jump é uma prática parecida com o bungee jump, mas com diferenças no modo de fixação do corpo e na dinâmica da queda. No caso de Limeira, a suspeita central é que o sistema de segurança não tenha sido acoplado corretamente antes do lançamento da jovem. A investigação também busca entender se houve descuido isolado ou falha mais ampla na organização da atividade.
A morte de Maria Eduarda reacendeu a atenção para a segurança na Ponte do Esqueleto, ponto já conhecido na cidade por episódios anteriores. A prefeitura de Limeira informou que vinha cobrando providências desde o início de 2025 e que adotou medidas administrativas para tentar conter riscos no local. A área, segundo a apuração, já havia sido alvo de preocupação por outros acidentes.
O caso também envolve discussão sobre a responsabilidade de quem promove atividades de aventura em locais de acesso complexo. Em situações desse tipo, a obrigação de checar equipamentos, orientar participantes e garantir a fixação correta dos sistemas de proteção é central. Quando essa etapa falha, a consequência pode ser fatal, como ocorreu com a jovem de 21 anos.
Enquanto a investigação avança, a polícia tenta esclarecer não apenas a falha que levou à morte, mas também o que aconteceu logo depois da queda. A retirada da câmera, se confirmada como tentativa de ocultar imagens, pode ter peso adicional no inquérito. Por ora, porém, a apuração segue em andamento e ainda depende da análise completa dos elementos reunidos até aqui.

Enviado a 1 dia atrás
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