


Não há alternativas
A exclusão de trabalhadores LGBTQIA+ custa R$ 94,4 bilhões por ano ao Brasil, segundo um estudo do Banco Mundial que dimensiona o impacto econômico do preconceito no mercado de trabalho. O valor equivale a 0,8% do PIB e ajuda a mostrar que a discriminação não afeta apenas trajetórias individuais, mas também a atividade econômica do país.
O levantamento foi divulgado em meio a uma série de debates sobre desigualdade de acesso ao emprego, permanência no trabalho e barreiras enfrentadas por pessoas LGBTQIA+ em diferentes etapas da vida profissional. A pesquisa reúne dados sobre desemprego, informalidade e inatividade, além de estimativas sobre perda de renda e arrecadação associadas à exclusão dessa população.
Entre os números apresentados, a taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+ aparece em 15,2%, praticamente o dobro da média geral, de 7,7%. O estudo também aponta informalidade de 46% nesse grupo, acima dos 40% observados na população em geral. Já a inatividade chega a 37,4%, ante 33,4% na média nacional.
Na prática, isso significa que uma parcela relevante de profissionais encontra mais dificuldade para entrar no mercado formal, manter vínculos estáveis e avançar na carreira. O efeito, de acordo com a pesquisa, não se limita à renda perdida por essas pessoas. Há também impacto sobre produtividade, consumo, arrecadação e circulação de riqueza.
O Banco Mundial calcula ainda que a exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho provoca perda fiscal anual de R$ 14,6 bilhões, somando menor arrecadação e aumento de despesas públicas. Esse tipo de estimativa costuma ser usado para medir o custo econômico de barreiras sociais que, muitas vezes, aparecem de forma difusa no cotidiano das empresas e das relações de trabalho.
A leitura do estudo é que o preconceito funciona como um freio ao desenvolvimento. Quando profissionais são afastados, desestimulados ou empurrados para ocupações mais precárias, o país perde mão de obra qualificada e reduz a eficiência do próprio mercado. Em outras palavras, a exclusão tem preço mensurável.
O tema também ganha relevância porque o mercado de trabalho brasileiro ainda convive com altos índices de informalidade e desigualdade de acesso. Nesse contexto, a situação de pessoas LGBTQIA+ tende a ser ainda mais sensível, já que a discriminação pode ocorrer na contratação, no ambiente interno, na promoção e até na manutenção do emprego.
O estudo reforça uma discussão que vai além da pauta de direitos individuais. Ao quantificar o impacto financeiro da exclusão, a pesquisa coloca o preconceito no centro de uma conta econômica concreta, com efeitos sobre empresas, trabalhadores e contas públicas. Para especialistas e organizações que atuam na área, o dado ajuda a mostrar que inclusão não é apenas uma questão social, mas também de eficiência econômica.
A divulgação do levantamento ocorre em um momento em que empresas, governos e entidades da sociedade civil têm sido pressionados a adotar políticas mais consistentes de diversidade e proteção contra discriminação. Ainda assim, os números indicam que o problema segue longe de ser resolvido e continua produzindo perdas expressivas para o país.

Enviado a 1 semana atrás
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