


Não há alternativas
A deputada Erika Hilton criticou publicamente o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, ao afirmar que o partido defendeu uma transição de dez anos para mudanças na escala 6×1 e votou contra o projeto em todas as etapas de tramitação. A declaração ocorre em meio ao avanço da proposta que discute o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, tema que voltou ao centro do debate na Câmara dos Deputados.
A fala de Erika foi feita em um momento de forte disputa política em torno da redução da jornada semanal. A deputada, que é uma das principais vozes da proposta, reagiu às críticas de parlamentares da oposição e disse que a mudança não deve ser tratada como ameaça à economia. Ela também sustentou que a transição precisa ser organizada, mas sem ampliar a carga de trabalho nem impor perdas aos trabalhadores.
O embate ganhou força porque a comissão especial da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 27 de maio, o texto-base da proposta que reduz a jornada de trabalho no país das atuais 44 horas para 40 horas semanais, em duas etapas. O parecer reúne duas iniciativas que vinham sendo discutidas separadamente: uma do deputado Reginaldo Lopes, que previa redução gradual ao longo de dez anos, e outra de Erika Hilton, que defendia a escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas.
Na prática, o tema deixou de ser apenas uma bandeira de movimento social e passou a integrar a agenda legislativa com maior peso. A comissão especial foi o primeiro passo formal para que a proposta avance, mas o texto ainda precisa passar pelo plenário da Câmara, em dois turnos, antes de seguir adiante no Congresso. Isso significa que o debate está longe de terminar e que o conteúdo final ainda pode sofrer mudanças.
A crítica de Erika ao PL mira justamente esse ponto. Ela afirmou que parlamentares do partido defenderam uma transição longa, de dez anos, e que votaram contra a proposta nas etapas anteriores. A deputada também rebateu a ideia de que a redução da jornada traria prejuízo econômico imediato. Em sua avaliação, a mudança pode ser acompanhada de medidas de adaptação para setores específicos, sem descaracterizar o objetivo central de ampliar o descanso semanal.
Do outro lado, o PL tem sustentado que uma alteração apressada pode gerar efeitos negativos no mercado de trabalho. O líder da legenda, Sóstenes Cavalcante, já havia criticado a proposta e defendido uma mudança mais profunda, com modelo de quatro dias trabalhados e três de descanso. A divergência mostra que, embora exista consenso sobre a necessidade de discutir a jornada, não há acordo sobre o ritmo nem sobre o formato da transição.
O assunto também ganhou relevância porque toca diretamente a rotina de milhões de trabalhadores formais e informais. A escala 6×1 é comum em setores como comércio, serviços e atendimento ao público, onde a organização das escalas costuma ser um dos principais pontos de conflito entre empregadores e empregados. Por isso, qualquer alteração tende a ter impacto não apenas jurídico, mas também operacional e econômico.
Nos bastidores da Câmara, a expectativa é de que a discussão siga intensa nas próximas etapas. O texto aprovado pela comissão especial ainda pode receber ajustes, especialmente em pontos ligados ao período de transição, à compensação para empresas e às regras específicas para diferentes categorias. A tendência é que o plenário concentre a disputa política mais dura, com pressão de parlamentares favoráveis e contrários à redução da jornada.
A fala de Erika Hilton, nesse contexto, funciona como uma resposta direta à tentativa de setores da oposição de associar a proposta a risco econômico ou aumento de custos. Ao citar o PL e Sóstenes Cavalcante, ela buscou marcar posição e reforçar que a discussão, para seus defensores, não é sobre retirar direitos, mas sobre reorganizar a jornada de trabalho no país.
Mesmo com a aprovação do texto-base, o cenário ainda é de negociação. A proposta segue em tramitação e depende de novas votações para que qualquer mudança efetiva na escala 6×1 possa virar realidade. Até lá, o tema deve continuar no centro do debate político, com forte disputa entre quem defende uma transição mais longa e quem quer acelerar a redução da jornada.

Enviado a 2 meses atrás
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