


Não há alternativas
Quatro redações nota mil do Enem 2025 tiveram divergências relevantes nas correções iniciais, segundo informações divulgadas pelo Inep. Em um dos casos, um candidato do Recife recebeu notas bastante diferentes de dois avaliadores antes de alcançar a pontuação máxima após análise de uma banca extraordinária.
O episódio chama atenção porque a redação é uma das etapas mais sensíveis do exame e pode influenciar diretamente o acesso ao ensino superior por meio de programas como Sisu, Prouni e Fies. No Enem, a nota vai de zero a mil e é definida a partir de critérios objetivos, mas a correção pode passar por mais de um avaliador quando há discrepância entre as notas atribuídas.
De acordo com o Inep, seis das dez redações que chegaram à nota máxima no Enem 2025 foram aprovadas por unanimidade já na primeira correção. As outras quatro, porém, apresentaram diferenças maiores entre os avaliadores e acabaram sendo encaminhadas para etapas adicionais de análise, como prevê o procedimento do exame.
No caso mais citado, a redação do participante recifense recebeu 600 pontos de um corretor e 760 de outro. Depois da revisão por uma banca extraordinária, o texto foi reavaliado e terminou com nota 1.000. O contraste entre as notas reforça a discussão sobre a margem de interpretação existente mesmo em um sistema de correção estruturado por competências.
Uma das hipóteses levantadas para explicar as divergências é a leitura distinta de critérios como o chamado repertório de bolso, expressão usada para descrever referências prontas, genéricas ou pouco articuladas ao tema. O Inep passou a dar mais atenção a esse ponto na cartilha do participante do Enem 2025, orientando os candidatos a priorizar repertório produtivo e autoral, em vez de citações decoradas ou pouco conectadas ao texto.
A própria cartilha do exame também detalha que a redação deve ser um texto dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, e que a avaliação considera cinco competências. Entre elas estão o domínio da norma culta, a compreensão do tema, a organização dos argumentos, a coesão textual e a proposta de intervenção, quando cabível. Na prática, pequenas diferenças de interpretação podem alterar a nota final, especialmente quando o texto está próximo dos limites entre faixas de pontuação.
O Inep afirma que o processo segue os parâmetros oficiais de avaliação e que a correção da redação do Enem pode envolver até quatro avaliadores, conforme a necessidade. Quando há discrepância entre as notas dos dois primeiros corretores, o texto é encaminhado para novas análises até que se chegue ao resultado final. Em situações específicas, a nota anterior pode ser descartada e substituída pela decisão de uma banca.
A divulgação das redações nota mil também costuma atrair atenção porque esses textos funcionam como referência para estudantes que se preparam para o exame. No caso do Enem 2025, o instituto já havia publicado orientações destacando a importância de construir argumentos próprios e de usar repertório de forma consistente, sem depender de fórmulas prontas.
Embora o número de redações com nota máxima seja pequeno diante do total de participantes, o episódio mostra que a correção continua sendo um dos pontos mais observados do exame. Para candidatos, professores e cursinhos, qualquer mudança de critério ou divergência entre corretores acaba ganhando peso extra, já que a redação pode ser decisiva na classificação final.
O caso também ajuda a explicar por que o Inep mantém regras específicas para a correção e para a revisão de notas. Em um exame de alcance nacional, com milhões de inscritos, a padronização é essencial, mas a aplicação prática dos critérios ainda depende da leitura humana de cada texto. É justamente nessa etapa que surgem as diferenças que, em alguns casos, levam a notas muito distantes antes da definição final.

Enviado a 1 mês atrás
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