Patrick Stewart, o ator britânico que deu vida ao Professor Charles Xavier nos filmes de X-Men e ao capitão Jean-Luc Picard em Star Trek, morreu aos 86 anos. A morte ocorreu na quarta-feira, 28 de outubro, em sua casa em Los Angeles. O anúncio foi publicado nesta quinta-feira (29) no perfil verificado do ator no Instagram.
O comunicado informou que Stewart estava sob os cuidados de sua mulher, Sunny, e mencionou um período com doença de Alzheimer e demência com corpos de Lewy. A nota descreveu a presença de familiares e amigos em seus últimos dias. A informação também foi confirmada à Associated Press pela porta-voz Kelly Bush Novak.
O Professor Xavier que marcou X-Men
No cinema, Stewart ajudou a tornar Charles Xavier reconhecível para um público que nem sempre conhecia os quadrinhos. Sua estreia no papel aconteceu em X-Men, de 2000. O professor telepata, fundador da escola para jovens mutantes, tornou-se uma das figuras centrais da franquia. O TheWrap relembra os principais trabalhos do ator.
A combinação de voz firme, gestos contidos e autoridade deu ao personagem uma presença que não dependia das cenas de ação. Na história dos X-Men, Xavier procura educar e proteger os mutantes e defende a convivência com os humanos — uma missão apresentada pela própria Marvel na história do grupo.
Stewart voltou ao personagem em diferentes momentos da série. Entre os filmes estão X2 (2003), X-Men: O Confronto Final (2006) e Logan (2017). Neste último, ao lado de Hugh Jackman, interpretou um Xavier envelhecido e vulnerável, numa história atravessada por perda, cuidado e despedida.
O alcance de Logan na trajetória de Stewart foi além daquele filme. Em relato publicado pelo site oficial de Star Trek, o ator contou que a transformação dos personagens e do mundo naquele longa influenciou suas condições para voltar a interpretar Picard.
Picard, a outra grande marca de Patrick Stewart
Antes de assumir Xavier, Stewart já havia construído uma relação duradoura com os fãs de ficção científica. Ele protagonizou Star Trek: The Next Generation, exibida de 1987 a 1994, como Jean-Luc Picard. A produção teve sete temporadas, conforme o registro oficial da série.
À frente da Enterprise, Picard comandava uma tripulação que encontrava outras civilizações e enfrentava decisões éticas. O personagem fez da escuta, da argumentação e da responsabilidade elementos de sua liderança. A interpretação de Stewart deu peso a esses conflitos, muitas vezes resolvidos numa conversa ou numa decisão difícil.
Décadas depois, o ator retomou o papel em Star Trek: Picard. A série teve três temporadas e acompanhou uma nova etapa da vida do personagem. Para quem o conheceu na televisão, o retorno permitiu reencontrar um protagonista também transformado pela passagem do tempo.
Uma carreira que começou muito antes das franquias
A formação de Stewart nos palcos precedeu sua projeção internacional na televisão e no cinema. Ele entrou na Royal Shakespeare Company em 1966. A companhia registra em sua trajetória personagens como Oberon, Shylock, Henrique IV, Próspero e Cláudio.
Essa experiência ajuda a compreender o que aproxima Xavier e Picard: personagens que precisam sustentar uma ideia diante de outras pessoas. Nos dois universos, Stewart trabalhou a autoridade pela palavra e pela presença, sem perder a possibilidade de mostrar dúvida, fragilidade ou afeto.
O comunicado de despedida também destacou sua atuação em causas humanitárias, incluindo apoio a sobreviventes de violência doméstica, refugiados e iniciativas de bem-estar animal. A nota situou esses compromissos ao lado do trabalho artístico que o levou do teatro britânico às grandes franquias.
Homenagens a um ator de gerações
Hugh Jackman, William Shatner e George Takei estiveram entre os colegas que prestaram homenagens, segundo a Associated Press. Os depoimentos lembraram tanto sua contribuição como ator quanto as relações construídas ao longo da carreira.
Para os espectadores, Xavier e Picard permanecem como duas expressões distintas de um mesmo talento: fazer personagens de mundos imaginários parecerem próximos. É essa presença, construída durante décadas, que acompanha a despedida de Patrick Stewart.




