


Não há alternativas
O governo Lula aparece com avaliação dividida entre os brasileiros, mas ainda sob predominância de percepção negativa, de acordo com a nova pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira. O levantamento mostra que 44% aprovam a forma como o presidente administra o país, enquanto 50% desaprovam.
Na avaliação geral da gestão federal, 32% classificam o governo como ótimo ou bom, 28% como regular e 38% como ruim ou péssimo. Os números indicam um quadro de estabilidade em relação a medições anteriores, sem mudança brusca na percepção do eleitorado.
A pesquisa também mediu o nível de confiança em Lula. Nesse recorte, 56% dos entrevistados disseram não confiar no presidente, enquanto 41% afirmaram confiar. O resultado reforça a dificuldade do governo em converter apoio político em aprovação mais ampla da administração.
Os recortes regionais e religiosos ajudam a explicar parte dessa divisão. No Nordeste, a aprovação chega a 60%, o que mantém a região como a principal base de apoio do presidente. Entre os católicos, o índice também é mais favorável, com 52% de aprovação.
Na outra ponta, a rejeição é mais forte entre os evangélicos. Nesse grupo, 70% disseram não confiar em Lula, um dado que ajuda a dimensionar a distância entre o presidente e um segmento que tem se mostrado mais resistente ao governo ao longo dos últimos levantamentos.
A leitura geral da pesquisa é de um cenário em que o Planalto não enfrenta uma queda abrupta, mas também não consegue avançar de forma consistente na recuperação de imagem. A combinação entre aprovação abaixo da metade, desaprovação majoritária e confiança ainda mais baixa mostra que a avaliação do governo segue pressionada.
Esse tipo de resultado costuma ter peso político porque influencia a capacidade do Executivo de sustentar apoio no Congresso, defender medidas impopulares e organizar a comunicação com diferentes públicos. Quando a percepção negativa se mantém por mais tempo, o governo tende a encontrar mais dificuldade para ampliar sua margem de manobra.
Ao mesmo tempo, os dados mostram que Lula ainda preserva bolsões importantes de apoio, especialmente no Nordeste e entre católicos. Isso indica que a disputa pela opinião pública continua segmentada, com diferenças marcantes entre regiões, religiões e perfis de eleitorado.
A pesquisa Ipsos-Ipec foi realizada entre os dias 13 e 17 de junho e traz um retrato do momento político em que o governo tenta equilibrar agenda econômica, articulação institucional e disputa de narrativa. Em um ambiente de avaliação dividida, cada ponto percentual passa a ter relevância maior para medir a temperatura da gestão.
Para o Planalto, o desafio segue sendo transformar apoio localizado em percepção mais ampla de desempenho. Para a oposição, os números reforçam a existência de espaço para explorar a insatisfação, embora o quadro ainda não indique uma rejeição homogênea em todo o país.

Enviado a 5 horas atrás
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