


Não há alternativas
Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Favela da Universidade Federal do ABC revelou a discrepância nas temperaturas de superfície entre diferentes áreas de São Paulo, refletindo uma profunda desigualdade social. Durante um período em 2024/2025, a favela de Paraisópolis registrou temperaturas que chegaram a 45ºC, enquanto o bairro de alto padrão Morumbi apresentou médias de aproximadamente 30ºC.
Essa diferença de 15ºC, observada em regiões localizadas a poucos quilômetros de distância, é atribuída a características distintas de infraestrutura. As favelas, como Paraisópolis, enfrentam alta densidade de edificações, escassa ventilação e falta de vegetação, além de predominância de materiais que absorvem calor, como concreto e metal. Por outro lado, áreas nobres como Morumbi são favorecidas com espaços verdes, ruas arborizadas e acesso a praças públicas.
Além das implicações diretas para a saúde da população, as altas temperaturas em comunidades vulneráveis também impactam financeiramente as famílias. O aumento no calor leva ao uso intensificado de ventiladores e aparelhos eletrodomésticos, resultando em um consumo elevado de energia elétrica e, consequentemente, em gastos maiores no orçamento doméstico.
A pesquisa destaca não apenas a necessidade urgente de políticas que tratem da desigualdade ambiental, mas também a relevância de um planejamento urbano que considere a inclusão de infraestrutura adequada em todas as áreas da cidade, buscando mitigar os efeitos do calor extremo sobre as populações mais afetadas.

Enviado a 5 meses atrás
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