


Não há alternativas
A SpaceX começou a negociar nesta terça-feira com uma avaliação de cerca de US$ 1,77 trilhão, mas o tamanho da empresa e a complexidade do negócio já levantam uma dúvida entre analistas: seria esse o tipo de ação que Warren Buffett compraria? A resposta sugerida pelo mercado é não, principalmente por causa da precificação, e não da tecnologia.
A SpaceX deve estrear em bolsa em torno de 90 vezes a receita, um múltiplo que coloca a companhia em uma faixa considerada muito exigente até para empresas de tecnologia com forte crescimento. Nesse patamar, o desafio deixa de ser apenas acreditar na tese de longo prazo e passa a ser justificar o valor pago hoje.
Buffett construiu sua reputação priorizando negócios fáceis de entender, com geração previsível de caixa e preços considerados razoáveis. A SpaceX, por outro lado, reúne em uma única história lançamentos de foguetes, satélites, ativos ligados a inteligência artificial, ambições em data centers e projetos de longo prazo, como a colonização de Marte.
É justamente essa combinação que torna a companhia atraente para muitos investidores e, ao mesmo tempo, difícil de avaliar com os critérios mais tradicionais. Para um perfil mais próximo ao de Buffett, a falta de simplicidade e a distância entre receita e valuation pesam mais do que o potencial de crescimento.
Na prática, a estreia da SpaceX reforça como o mercado de tecnologia continua disposto a pagar caro por narrativas de expansão extrema, mesmo quando a precificação exige uma confiança elevada no futuro. Para investidores mais conservadores, porém, o caso tende a servir como exemplo de um ativo que impressiona pela escala, mas desafia qualquer modelo clássico de valuation.

Enviado a 3 semanas atrás
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