


Não há alternativas
A expansão da infraestrutura de inteligência artificial tem beneficiado não apenas fabricantes de chips, mas também empresas que viabilizam a comunicação entre processadores, memória e servidores. É nesse ponto que Broadcom, Astera Labs, Credo e Applied Optoelectronics aparecem como algumas das companhias mais expostas ao avanço dos investimentos em IA.
Na prática, o crescimento dos sistemas de IA depende de redes capazes de mover volumes enormes de dados com baixa latência e alta eficiência. Isso faz com que a camada de conectividade, muitas vezes menos visível do que os chips em si, ganhe relevância estratégica à medida que grandes empresas ampliam seus data centers e clusters de computação.
A Broadcom, listada sob o ticker AVGO, fornece chips de rede para conectar grandes clusters de IA e também desenvolve aceleradores personalizados para hyperscalers. No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, a receita de semicondutores para IA chegou a US$ 10,8 bilhões, alta de 143% na comparação anual. A companhia projetou US$ 16 bilhões para o terceiro trimestre e informou ter uma carteira de pedidos de IA acima de US$ 73 bilhões.
A Astera Labs, negociada como ALAB, atua na camada de controle de tráfego dentro de racks de IA, ajudando a movimentação de dados entre chips, memória, switches e aceleradores. A receita do primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 atingiu um recorde de US$ 308 milhões, avanço de 93% em um ano. A empresa também informou que seu novo switch Scorpio deve se tornar sua maior linha de produto até o fim do ano.
Já a Credo, identificada pelo ticker CRDO, concentra sua atuação em conexões ópticas e de cobre usadas dentro de sistemas de IA. A empresa diz deter cerca de 75% de participação de mercado em conexões ativas de cobre. No ano fiscal de 2026, a receita chegou a US$ 1,34 bilhão, alta de 206% na comparação anual, em um momento em que a transição para redes de 1.6T abre um novo ciclo de atualização para clientes.
A Applied Optoelectronics, listada como AAOI, fabrica módulos ópticos e os lasers usados nesses componentes, essenciais quando os dados precisam circular entre grandes data centers de IA. A receita de data center no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 cresceu 154% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 81 milhões, e a administração elevou a projeção de receita anual para US$ 1,1 bilhão.
O movimento reforça que a corrida da inteligência artificial não se resume aos chips mais conhecidos do mercado. À medida que a infraestrutura se torna mais complexa, empresas de conectividade, rede e óptica passam a ocupar uma posição central na cadeia de valor da IA.

Enviado a 4 dias atrás
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