


Não há alternativas
Breno Vieira Faria, um policial rodoviário federal de 31 anos, está enfrentando sérias acusações de misoginia, após a denúncia protocolada no Ministério Público Federal (MPF) em 8 de abril de 2026. Faria é o criador do canal “Café com teu pai”, que se tornou um fenômeno nas redes sociais desde sua estreia em fevereiro de 2025, acumulando mais de 2 milhões de seguidores. O canal é uma paródia do podcast “Café com Deus Pai”, mas seu conteúdo gerou polêmica, levando a deputada estadual Ediane Maria do Nascimento (PSOL-SP) e a advogada Natália Szermeta Boulos a assinar a representação.
A denúncia alega que os vídeos de Faria perpetuam estereótipos de gênero negativos. Entre as afirmações controversas, ele se refere a mulheres que têm múltiplos parceiros como “vagabundas”, ao mesmo tempo em que adota uma postura tolerante em relação a comportamentos semelhantes de homens. Além disso, o policial sugere que mulheres bem-sucedidas acima de 30 anos são “problemáticas”, enfatizando uma hierarquia de gênero por meio de comparações que desvalorizam o papel feminino na sociedade. O conteúdo do canal inclui analogias como “chave mestra” para homens e “fechadura que abre por qualquer chave” para mulheres, o que reforça as desigualdades de gênero.
A representação também revela iniciativas controversas, como a venda de cursos digitais sobre relacionamentos, sem a devida formação técnica, além da gestão de empresas de marketing digital. Com isso, a denúncia não apenas critica o teor misógino dos vídeos, mas também questiona a legalidade das atividades de Faria, citando possíveis violações à Lei nº 8.112/1990, que rege a responsabilidade dos servidores públicos, incluindo a proibição de monetização e a divulgação de material discriminatório nas redes sociais.
O MPF agora será responsável por investigar as alegações e determinar se há fundamento nas acusações, assim como a conformidade com as regulamentações da PRF. Este caso não apenas levanta questões sobre a conduta de um servidor público, mas também ressoa em um contexto mais amplo de debate sobre misoginia e a percepção de gênero na sociedade brasileira. O desdobramento dessa investigação pode ter implicações significativas tanto para Faria quanto para a imagem da PRF e a discussão sobre misoginia nas mídias digitais.

Enviado a 3 meses atrás
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