Ulti NotíciasExplorar a Ulti
Ir para o artigo
Notícias
Brasil

Pós-eleição, o mercado revisa tudo: dólar a R$ 5,34 e juros altos por mais tempo

No primeiro Focus depois da eleição, o mercado vê dólar a R$ 5,34, Selic em 13,5%, inflação de 5,22% e PIB de 1,76% em 2026. Veja o que é projeção e o que decide o…

Publicado em

Carrinho de compras cheio de ovos, queijo e embalagens na fila do caixa de um atacadista em BrasíliaCrédito da imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Consumidores na fila do caixa de um atacadista em Brasília, em 12 de junho de 2026: com a inflação acumulada, a busca por desconto virou estratégia para aliviar o orçamento.

No primeiro Boletim Focus depois da reeleição de Lula, o mercado financeiro refez as contas: o dólar de fim de ano subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34 em uma semana, a Selic projetada para dezembro passou de 13,25% para 13,5%, a inflação de 2026 foi para 5,22% e o crescimento do PIB caiu pela terceira semana seguida, para 1,76%. São projeções de bancos e consultorias, não decisões do Banco Central. Mesmo assim, elas dizem o que o mercado espera para o crédito, para o preço da comida e para o dólar, justamente na véspera da decisão do Copom.

O Focus sai toda segunda-feira, mas foi adiado para esta terça-feira (3) por causa do feriado de Finados. A Ulti leu o que o Banco Central e a Agência Brasil publicaram e separa abaixo o que é número confirmado, o que é aposta e o que ainda vai depender do Copom, que se reúne em 3 e 4 de novembro.

O que mudou no primeiro Focus depois da eleição

O Relatório Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central com instituições do mercado. O próprio BC avisa que as projeções são do mercado, não dele. Segundo a Agência Brasil, este é o primeiro boletim depois do resultado das eleições presidenciais, e a direção foi a mesma em quase tudo: mais juros, mais inflação, mais dólar e menos crescimento.

  • Selic no fim de 2026: 13,5%, ante 13,25% na semana anterior;
  • IPCA de 2026: 5,22%, ante 5,19% uma semana antes e 5,01% quatro semanas antes;
  • PIB de 2026: 1,76%, ante 1,8% na semana passada, a terceira revisão para baixo seguida;
  • Dólar no fim de 2026: R$ 5,34, ante R$ 5,05 uma semana antes.
Cédulas de real e uma moeda de R$ 1 ao lado de uma calculadora, sobre um gráfico de barras impressoCrédito da imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto de arquivo da Agência Brasil usada na cobertura do Boletim Focus: é imagem ilustrativa de economia, não do boletim desta terça-feira.

A conta que mais chama atenção é a do câmbio. Em uma semana, a projeção para o dólar de dezembro subiu R$ 0,29, ou cerca de 5,7%, cálculo da Ulti a partir dos números da Agência Brasil. Foi a semana em que a moeda americana saltou depois do segundo turno, como a Ulti contou em Dólar a R$ 5,44 e Bolsa despenca 18%. O Focus mostra que o susto saiu das telas e entrou nas planilhas dos economistas.

Dólar de fim de ano: de R$ 5,05 para R$ 5,34

Há um detalhe que o título de qualquer manchete costuma esconder. A projeção de R$ 5,34 para o fim do ano é menor do que o fechamento de sexta-feira (30), de R$ 5,446, o maior do ano, segundo a Agência Brasil. Ou seja, o mercado não está dizendo que o dólar vai disparar de novo. Está dizendo que o patamar de dezembro deve ficar mais alto do que se imaginava antes da eleição, mas um pouco abaixo do pico da semana passada.

Para 2027 e 2028, o Focus projeta o dólar em R$ 5,40 nos dois anos. A Ulti não tem, até esta checagem, a cotação desta terça-feira, depois da reabertura da B3, e por isso não compara o Focus com o preço de hoje. Quem acompanha a moeda deve conferir a cotação em fonte primária, como o Banco Central.

O que o dólar mais alto muda na prática, na avaliação de economistas ouvidos por jornais na semana passada, é a pressão sobre produtos com preço internacional, como combustíveis, trigo e eletrônicos. O repasse, porém, não é automático nem imediato. Depende de estoques, contratos e concorrência, e a Ulti já explicou esse mecanismo na matéria sobre o fechamento da semana.

Selic em 13,5%: por que o mercado vê um corte a menos

A Selic hoje está em 13,75%, depois da redução anunciada em setembro, segundo a Agência Brasil. Se o mercado projeta 13,5% para dezembro, isso equivale a um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Na semana passada, a projeção de 13,25% equivalia a dois cortes de 0,25 ponto. Em outras palavras: de uma semana para outra, o mercado passou a esperar uma redução a menos.

A Agência Brasil lembra que 13,5% é o mesmo patamar estimado quatro semanas atrás, ou seja, a semana passada foi a exceção, não a regra. Para 2027 e 2028, as projeções são de Selic em 12,5% e 11%. Os números ajudam a entender o clima, mas não valem como promessa: o Banco Central decide a taxa no Copom, olhando inflação, expectativas e atividade. O comunicado da 281ª reunião do Copom está no site do Banco Central.

Na prática, juros altos por mais tempo significam crédito caro por mais tempo: cartão, cheque especial e financiamento. A Ulti detalhou o que está em jogo para dívidas e emprego em Copom de novembro: a decisão que pesa no crédito e no emprego.

Inflação de 5,22%: a comida segura a conta

A projeção do IPCA de 2026 chegou a 5,22%, acima do teto de tolerância da meta, de 4,5%. A comida explica boa parte do problema. Na prévia da inflação de outubro, o IPCA-15 subiu 0,32%, menos da metade dos 0,70% de setembro, mas o acumulado em 12 meses chegou a 4,62%, segundo o IBGE. A alimentação no domicílio subiu 1,01% no mês, e os maiores aumentos foram de tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata-inglesa (10,96%) e arroz (5,80%), conforme a Agência Brasil.

Caixas cheias de tomates vermelhos em uma banca de mercado, com placas de preço ao fundoCrédito da imagem: Valeria Boltneva / Pexels
Tomates em banca de mercado. Foto ilustrativa, feita na Estônia: o tomate subiu 24,54% no IPCA-15 de outubro, segundo o IBGE.

O alívio do mês veio da conta de luz: com a volta da bandeira verde, a energia elétrica residencial caiu 0,89%. As passagens aéreas também ficaram 9,24% mais baratas, em média. Já os combustíveis subiram 1,2%, puxados pelo diesel (3,70%), pelo etanol (2,73%) e pela gasolina (0,92%).

O economista Roberto Luis Troster, da Fipe, resumiu o quadro ao comentar a prévia: “A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação”. Para 2027, o Focus projeta inflação de 4,76%, e para 2028, de 4%. O IPCA-15 não é o IPCA oficial, e o número fechado de outubro só sai depois.

PIB em 1,76%: a terceira revisão para baixo

Pela terceira semana consecutiva, o mercado cortou a estimativa de crescimento da economia em 2026, agora em 1,76%. Para 2027, o Focus projeta 1,2%, e para 2028, 1,8%. A queda é pequena em cada semana, mas tem um sentido claro: juros altos esfriam o crédito, e o crédito esfria o consumo e o investimento.

Esse cenário convive com dados de emprego fortes. O IBGE divulgou, em 30 de outubro, desemprego de 5,2% no trimestre até setembro, o menor para o período desde 2012, como a Ulti registrou na cobertura da semana passada. O retrato do Focus, portanto, é de uma economia que ainda gera trabalho, mas com ritmo de crescimento menor e custo de dinheiro alto.

Copom na quarta: o que o Focus não decide

Entrada do edifício do Banco Central do Brasil em Brasília, com o nome da instituição sob a marquise de concretoCrédito da imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Prédio do Banco Central em Brasília, em 26 de outubro de 2023. O Copom, que decide a Selic, se reúne ali em 3 e 4 de novembro. Foto de arquivo.

O Focus não decide nada. Quem decide é o Copom, no Banco Central, e o anúncio da nova Selic sai ao fim da reunião de 3 e 4 de novembro. Na semana passada, segundo o que a Ulti reuniu na cobertura do dólar, as opções de Copom da B3 indicavam 72% de chance de manutenção em 13,75% e 26% de corte. O Focus de hoje, ao projetar 13,5% em dezembro, ainda deixa espaço para um corte de 0,25 ponto até o fim do ano, mas não diz quando ele viria.

Por isso, vale ler o boletim como termômetro, não como previsão. Se o Copom mantiver a taxa, o mercado tende a ajustar de novo as projeções nas próximas segundas-feiras. Se cortar, o Focus ganha outro desenho. A Ulti acompanha a decisão e atualiza a cobertura quando o comunicado sair.

Confirmado x em aberto

Confirmado:

  • O Focus desta terça-feira (3) é o primeiro depois do resultado das eleições presidenciais, segundo a Agência Brasil;
  • Projeção da Selic para o fim de 2026: 13,5%, ante 13,25% na semana passada. A Selic atual é 13,75%;
  • Projeção do IPCA de 2026: 5,22%, acima do teto de tolerância da meta, de 4,5%;
  • Projeção do PIB de 2026: 1,76%, terceira queda seguida;
  • Projeção do dólar no fim de 2026: R$ 5,34, ante R$ 5,05 uma semana antes;
  • O IPCA-15 de outubro foi de 0,32%, com 4,62% em 12 meses, segundo o IBGE.

Em aberto:

  • A decisão do Copom: o Focus não antecipa se a Selic será mantida ou cortada na quarta-feira (4);
  • A cotação do dólar após a reabertura da B3: a Ulti não checou o preço de hoje;
  • Quanto do dólar alto vai chegar de fato aos preços do mercado e em quanto tempo;
  • O IPCA oficial de outubro, que ainda não foi divulgado;
  • Quais medidas fiscais o governo anunciará e como o mercado vai reagir a elas.

O que fazer com essas informações no seu bolso

O Focus fala com o mercado, mas o efeito aparece no caixa do mercado de bairro. Algumas atitudes práticas, sem nenhuma recomendação de investimento: comparar preços de itens que oscilam muito, como tomate, cebola e batata; evitar juros do cartão rotativo e do cheque especial enquanto o crédito está caro; e, se houver dívida, procurar a renegociação antes de a conta crescer. O atendimento humano passou a ser obrigatório no SAC, o que ajuda na negociação, como mostramos em Chega de falar com robô.

Para quem quer acompanhar a economia sem abrir dezenas de abas, a Ulti funciona como página inicial da web aberta e reúne, em um só lugar, os sites e MiniApps do dia a dia, de cotações a notícias e serviços públicos. A proposta está no guia o que é a Ulti e na análise sobre um WeChat brasileiro, o gov.br e os MiniApps. O contexto político está em Lula é reeleito em 2026.

Perguntas frequentes sobre o Boletim Focus

O que é o Boletim Focus?
É um relatório semanal do Banco Central que reúne as projeções de instituições do mercado financeiro para inflação, juros, câmbio e crescimento. As projeções são do mercado, não do BC.

O que o Focus desta terça-feira mostrou?
Selic de 13,5% no fim de 2026, IPCA de 5,22%, PIB de 1,76% e dólar de R$ 5,34, segundo a Agência Brasil. Foi o primeiro boletim depois da eleição.

O dólar vai chegar a R$ 5,34?
É a projeção do mercado para o fim de 2026, não uma garantia. Ela é menor do que o fechamento de sexta-feira (30), de R$ 5,446, e a Ulti não checou a cotação de hoje.

A Selic vai cair?
O mercado espera um corte de 0,25 ponto até dezembro, o que levaria a taxa de 13,75% a 13,5%. Quem decide é o Copom, em reunião de 3 e 4 de novembro.

Por que a projeção de inflação subiu?
A alta é pequena, de 5,19% para 5,22%, e vem de um quadro em que alimentos e dólar pressionam os preços. O IPCA-15 de outubro mostrou tomate, cebola, batata e arroz em alta.

O Focus é recomendação de investimento?
Não. É uma pesquisa de expectativas e serve para entender o clima do mercado. Decisões de investimento dependem do seu perfil e de profissional habilitado.

Fontes e créditos. Checagem feita em 3 de novembro de 2026, no início da tarde (horário de Brasília). Os números do Focus saíram da reportagem da Agência Brasil publicada na mesma data, com consulta à página do Relatório Focus no site do Banco Central. Os dados do IPCA-15 de outubro vieram do IBGE e da Agência Brasil. A Selic de 13,75% e as demais referências ao Copom foram lidas na Agência Brasil e no site do BC. As opções de Copom e o fechamento do dólar vieram da cobertura anterior da Ulti. O cálculo de alta de cerca de 5,7% na projeção do dólar é da Ulti, a partir dos números da Agência Brasil. Este texto não é recomendação de investimento. Imagens: capa, consumidores na fila de um atacadista em Brasília, Rafa Neddermeyer/Agência Brasil, 12 de junho de 2026; cédulas e calculadora, Marcello Casal Jr/Agência Brasil, foto de arquivo; prédio do Banco Central, Rafa Neddermeyer/Agência Brasil, 26 de outubro de 2023, foto de arquivo; tomates em banca de mercado, Valeria Boltneva / Pexels, Licença Pexels, foto ilustrativa feita na Estônia. Todas as imagens foram convertidas para WebP. Ulti Notícias faz parte da plataforma Ulti, citada nesta matéria.

Sugerir uma correção

Encontre sua próxima leitura.

Busque um assunto ou uma palavra nos artigos da Ulti Notícias.

Leituras recentes

Seu dia, bem informado.

Leitura rápida, com contexto e fontes.

Leia do seu jeito

Destaques do dia, temas do seu interesse e resumos rápidos.

Encontre suas leituras

Salve artigos e retome pelo histórico, com sinais de leitura.

Confira antes de compartilhar

No Cheque Fatos, confira uma dúvida, consulte as fontes e compartilhe um story.

Interesses, salvos e histórico ficam neste navegador. Leitura estimada.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência.