Ulti NotíciasExplorar a Ulti
Ir para o artigo
Notícias
Brasil

Dólar a R$ 5,44 e Bolsa despenca 18%: o que isso muda no seu bolso

Bolsa cai 18% em uma semana e dólar fecha a R$ 5,446, o maior do ano. Veja o que pode ficar mais caro, o que é só projeção e o que o Copom decide na…

Publicado em

Tela de negociação com gráfico de candles vermelhos em queda, símbolo da forte baixa da BolsaCrédito da imagem: Alex Luna / Pexels
A Bolsa brasileira caiu 18,12% na semana após o segundo turno, a maior perda semanal desde março de 2020. Foto ilustrativa, não é a tela da B3.

A Bolsa brasileira perdeu 18,12% em uma única semana, a pior queda desde março de 2020, e o dólar a R$ 5,44 fechou a sexta-feira (30) no maior valor de 2026, depois de subir 9,15% em cinco pregões, a maior alta semanal desde a crise de 2008. O gatilho foi a reeleição de Lula, em 25 de outubro, que desfez apostas de investidores em uma vitória de Flávio Bolsonaro e reacendeu a dúvida sobre o ajuste fiscal. Hoje, segunda-feira (2), a B3 ficou fechada por causa do feriado de Finados; o mercado reabre amanhã, e o Copom decide a Selic na quarta-feira (4).

O susto nas telas ainda não é, por si só, preço mais caro no mercado ou no posto. O que existe até agora são projeções de economistas que revisaram a inflação para cima, um Banco Central dizendo que o sistema financeiro está sólido e um mercado de trabalho com números recordes. A Ulti reuniu o que está confirmado, o que ainda é aposta e o que o dólar alto pode, de fato, mudar na vida de quem não opera na Bolsa.

Dólar a R$ 5,44 e Bolsa em queda: a semana em números

Os números fechados vêm da cobertura da Agência Brasil sobre o fechamento de sexta-feira (30) e da Agência Brasil sobre o primeiro pregão pós-eleição. Na segunda-feira (26), o dólar subiu 8,21% e fechou a R$ 5,403, a maior alta percentual em um dia desde 13 de janeiro de 1999. Na máxima da manhã, chegou a R$ 5,6049. No mesmo dia, o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, e a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em quedas fortes. O volume foi de R$ 88,6 bilhões, contra uma média diária de cerca de R$ 25 bilhões.

  • Dólar na semana: alta de 9,15%, a R$ 5,446 na sexta, o maior fechamento do ano e a maior valorização semanal desde outubro de 2008;
  • Ibovespa na semana: queda de 18,12%, aos 167.921,80 pontos, depois de cinco pregões seguidos de baixa. Em março de 2020, a queda semanal havia sido de 18,88%;
  • Em outubro: dólar com alta de 5,27% e Ibovespa com queda de 9,88%, o pior mês da Bolsa desde junho de 2022;
  • Dinheiro estrangeiro: dados da B3 apontaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
Notas de dólar, euro e real dobradas sobre fundo brancoCrédito da imagem: cottonbro studio / Pexels
O dólar fechou a sexta-feira (30) a R$ 5,446, o maior valor de 2026, mas ainda acumula alta de apenas 0,81% no ano, segundo a Agência Brasil.

Por que o mercado reagiu assim

Há três explicações em cima da mesa, e elas se somam. A primeira é a troca de posições: parte relevante do mercado esperava a vitória de Flávio Bolsonaro, que liderou o primeiro turno, e precisou desfazer apostas. Segundo a reportagem do O Globo, parte da desvalorização do real é esse reposicionamento; a outra parte reflete a baixa expectativa de um ajuste fiscal robusto no novo governo.

A segunda é o cenário externo. A Agência Brasil lembra que, na sexta, as ações de tecnologia e de inteligência artificial caíram nos Estados Unidos (o S&P 500 recuou 1,82%) e o dólar subiu contra moedas de países emergentes. Houve ainda busca por proteção cambial antes do fim de semana prolongado de Finados. A terceira é a incerteza sobre quem vai comandar a Fazenda no novo mandato e quais medidas virão.

O governo defende que a reação foi passageira. Em 27 de outubro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que “é natural que uma ‘troca de posições’ cause um desarranjo [temporário] no mercado”, conforme a Agência Brasil. O Tesouro Nacional recomprou mais de R$ 14,8 bilhões em títulos públicos no dia 26 e anunciou nova recompra de NTN-B no dia seguinte, medida extraordinária para conter oscilações. Segundo o R7, a avaliação de interlocutores do governo é que a reação do mercado foi exagerada.

O que pode ficar mais caro e o que ainda é só projeção

O dólar pesa sobre produtos que dependem de insumos importados ou que têm preço internacional, como combustíveis, trigo, soja e milho, eletrônicos e medicamentos. A Folha ouviu economistas que já revisaram a inflação: a 4intelligence subiu a projeção do IPCA de 2026 de 5,18% para 5,31% e a de 2027 de 4,23% para 5%; a MB Associados prevê 5,2% e 4,5%, respectivamente. A meta do Banco Central é 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Segundo O Globo, a consultoria Buysidebrazil subiu o IPCA de 2027 de 3,9% para 4,7% e a previsão para o dólar no fim de 2026 e de 2027, de R$ 4,90 para R$ 5,40.

Esses números são estimativas, não medições. O repasse do câmbio aos preços não é automático nem proporcional: depende de estoques, contratos, impostos e concorrência, e leva semanas ou meses. O próprio dólar de 2026 ajuda a calibrar o susto: mesmo no maior patamar do ano, a moeda acumula apenas 0,81% de alta desde janeiro, segundo a Agência Brasil.

Carrinho de compras no meio de um corredor de supermercado com prateleiras de produtosCrédito da imagem: Christian Naccarato / Pexels
Alimentos já vinham pressionados antes da eleição: a comida em casa subiu 1,01% no IPCA-15 de outubro, maior alta para o mês em cinco anos. Foto ilustrativa.

A pressão sobre a comida, aliás, não começou com a eleição. O IPCA-15 de outubro, citado pela Folha, mostrou alimentação em casa subindo 1,01%, a maior variação para um mês de outubro em cinco anos, com tomate em alta de 24,54%, cebola de 13,63%, batata-inglesa de 10,96% e arroz de 5,8%. O economista Sergio Vale, da MB Associados, associa parte da alta aos efeitos iniciais do El Niño e às chuvas fortes no Sul e no Sudeste. Já a passagem aérea tinha ficado mais barata no índice, mas a Petrobras anunciou alta de 7,2% no querosene de aviação em novembro, depois de 11,76% em outubro, refletindo a alta das cotações internacionais, em meio a tensões no Oriente Médio.

O contrapeso: emprego recorde e dólar ainda perto do início do ano

A economia real mostra um retrato diferente do das telas. O IBGE divulgou em 30 de outubro que a taxa de desocupação ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, a menor para esse período desde o início da série, em 2012. A população ocupada chegou a 103,6 milhões, recorde, e o rendimento real habitual foi de R$ 3.790, alta de 3,6% em um ano. A massa de rendimentos, de R$ 387,5 bilhões, também é a maior da série.

Mesmo com a queda da semana, o Ibovespa ainda acumula alta de cerca de 4% em 2026, cálculo da Ulti a partir da valorização de 9,61% no ano informada pela Agência Brasil em 26 de outubro. E o Banco Central afirmou, em 27 de outubro, que não vê risco relevante para a estabilidade financeira. O mesmo relatório traz um alerta: os ativos problemáticos das famílias estão no maior nível desde 2012 na maioria das modalidades de crédito, e o comprometimento da renda com dívidas é o maior em 21 anos. Ou seja, o bolso do brasileiro já chega apertado a esse choque.

Fazenda e ajuste fiscal: o que o mercado quer ver

O estopim da desconfiança é fiscal. A proposta de Orçamento de 2027 prevê superávit primário de R$ 73,2 bilhões (0,5% do PIB), mas foi elaborada antes de medidas da campanha. Segundo o R7, o reajuste do Bolsa Família pode exigir entre R$ 23,6 bilhões e R$ 24,9 bilhões adicionais em 2027, e o governo estima mais de R$ 18,7 bilhões em débitos abrangidos pelo Prospera MEI. O Ministério do Planejamento já indicou que pretende remanejar cerca de R$ 20 bilhões.

Durigan afirmou que o compromisso é com a “responsabilidade fiscal” e que “já temos várias medidas sendo estudadas e algumas prontas”, incluindo ampliar a parcela do Orçamento que pode ser contingenciada, o que depende do Congresso. O anúncio aguarda a definição da equipe econômica do novo mandato. Segundo a Reuters, os nomes mais citados por fontes para a Fazenda são o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, sem descartar a permanência de Durigan; nada foi oficializado. A Folha acrescenta que há impasse interno, porque Lula resiste a propor cortes mais robustos que poderiam configurar “estelionato eleitoral”. Lula e Alckmin tomam posse em 5 de janeiro. A Ulti já explicou o resultado da eleição em Lula é reeleito em 2026: os votos, a virada e o quarto mandato.

Copom na quarta: o que muda para crédito e dívidas

Torres do edifício-sede do Banco Central do Brasil em Brasília sob céu azulCrédito da imagem: Banco Central do Brasil / CC BY 2.0
O Copom, no Banco Central, anuncia na quarta-feira (4) a nova Selic; o mercado passou a apostar em manutenção dos 13,75%.

A decisão de juros é o próximo teste. Segundo O Globo, antes do segundo turno a maioria esperava novo corte de 0,25 ponto, mas as opções de Copom da B3 fecharam sexta-feira com 72% de chance de manutenção da Selic em 13,75% e 26% de corte. O Itaú espera que o comitê interrompa o ciclo de cortes, depois de cinco reduções de 0,25 ponto desde março; o Pine pondera que manter agora não significa encerrar o ciclo. O IPCA em 12 meses até setembro está em 4,58%, acima do teto de tolerância de 4,5%.

Na prática, juros altos por mais tempo significam crédito caro por mais tempo: cartão, cheque especial e financiamentos. O calendário econômico do Estadão lembra que o Boletim Focus, adiado pelo feriado, sai amanhã (3) e deve mostrar o quanto as expectativas mudaram. A Ulti detalha o que está em jogo na decisão em Copom de novembro: a decisão que pesa no crédito e no emprego. Se você precisar renegociar uma dívida, lembre que o atendimento humano passou a ser obrigatório no SAC, como mostramos em Chega de falar com robô.

Confirmado x em aberto

Confirmado:

  • Ibovespa com queda de 18,12% na semana encerrada em 30 de outubro, e dólar a R$ 5,446, alta de 9,15% no período;
  • B3 fechada em 2 de novembro (Finados), com retomada na terça-feira, 3;
  • Selic em 13,75%, com decisão do Copom na quarta-feira (4);
  • Desemprego de 5,2% no trimestre até setembro, o menor para o período desde 2012;
  • Ministro da Fazenda do novo mandato ainda não definido oficialmente.

Em aberto:

  • Se o dólar e a Bolsa vão continuar se movendo na reabertura de amanhã, já que não houve pregão hoje;
  • Qual será a decisão do Copom: manutenção é a aposta majoritária, mas não é certa;
  • Quais medidas fiscais o governo vai anunciar e quando;
  • Quanto do dólar alto vai chegar aos preços, e em quanto tempo: por ora, só há projeções de economistas, que divergem entre si.

Como acompanhar sem se perder no ruído

Em dias de volatilidade, boatos e prints correm mais rápido que os números. Vale conferir as cotações em fontes primárias, como o Banco Central, a B3 e o IBGE, e desconfiar de manchetes que misturam queda de um dia com tendência. Nada disso é recomendação de investimento: quem tem aplicações deve avaliar o próprio perfil e, se for o caso, conversar com um profissional habilitado.

Para não depender de dezenas de abas, a Ulti é uma plataforma brasileira que quer ser o sistema operacional da web: funciona como página inicial da web aberta e reúne em um só lugar os sites e MiniApps que você usa no dia a dia, como cotações, notícias e serviços públicos, sem depender de uma única loja de aplicativos ou rede social. Entenda a proposta no guia o que é a Ulti e na análise sobre um WeChat brasileiro, o gov.br e os MiniApps.

Perguntas frequentes sobre o dólar a R$ 5,44 e a queda da Bolsa

Quanto o dólar subiu depois da eleição?
Na semana após o segundo turno, o dólar subiu 9,15% e fechou a R$ 5,446 na sexta-feira (30), o maior valor de 2026. Só no primeiro pregão, em 26 de outubro, a alta foi de 8,21%, a maior em um dia desde janeiro de 1999.

A Bolsa funciona hoje, 2 de novembro?
Não. A B3 informou que não haveria negociação em 2 de novembro, feriado de Finados, e que as atividades voltam na terça-feira, 3 de novembro.

Por que o dólar subiu e a Bolsa caiu?
Porque investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro precisaram rever posições, houve dúvida sobre o ajuste fiscal do novo governo e o cenário externo estava adverso, com queda de ações de tecnologia nos EUA.

O dólar alto vai encarecer os preços no Brasil?
Pode pressionar combustíveis, alimentos e produtos importados, e economistas já elevaram as projeções de inflação. Mas o repasse não é automático nem imediato, e ainda não há dado oficial mostrando alta de preços causada pela oscilação da última semana.

A economia brasileira está em crise?
Os indicadores divulgados mostram um quadro misto: desemprego de 5,2%, o menor para o período desde 2012, e renda em alta, mas também endividamento recorde das famílias e juros altos. O Banco Central afirmou não ver risco relevante para a estabilidade financeira.

O que o Copom deve decidir na quarta-feira?
A aposta majoritária do mercado, medida por opções da B3, é de manutenção da Selic em 13,75%. A decisão será anunciada ao fim da reunião de 3 e 4 de novembro e não está garantida.

Quem será o ministro da Fazenda em 2027?
Ainda não foi anunciado. Fontes ouvidas pela Reuters citam Geraldo Alckmin e Rafael Fonteles como favoritos, sem descartar a permanência de Dario Durigan.

Fontes e créditos. Ulti Notícias faz parte da plataforma Ulti, citada nesta matéria. Fontes consultadas em 2 de novembro de 2026, por volta das 19h (horário de Brasília): Agência Brasil (fechamentos de 26 e 30 de outubro, Durigan, recompra do Tesouro e Relatório de Estabilidade Financeira), IBGE (PNAD Contínua de 30 de outubro), B3 (funcionamento no feriado de Finados), Folha, O Globo, Estadão, R7, Reuters (via UOL) e Folhapress (via Notícias ao Minuto). Valores do dólar são cotações de fechamento da sexta-feira (30); não houve pregão em 2 de novembro. As projeções de inflação citadas são de instituições e economistas, não do Banco Central; o cálculo de alta de cerca de 4% do Ibovespa no ano é da Ulti, a partir dos números da Agência Brasil. Este texto não é recomendação de investimento. Imagens: capa, gráfico de candles em queda, Alex Luna / Pexels, Licença Pexels (uso livre, sem atribuição obrigatória), foto ilustrativa e recortada; notas de dólar, euro e real, cottonbro studio / Pexels, Licença Pexels, recortada; carrinho em corredor de supermercado, Christian Naccarato / Pexels, Licença Pexels, foto ilustrativa feita na Itália e recortada; edifício-sede do Banco Central em Brasília, Banco Central do Brasil, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0, recortada. Todas as imagens foram convertidas para WebP.

Sugerir uma correção

Encontre sua próxima leitura.

Busque um assunto ou uma palavra nos artigos da Ulti Notícias.

Leituras recentes

Seu dia, bem informado.

Leitura rápida, com contexto e fontes.

Leia do seu jeito

Destaques do dia, temas do seu interesse e resumos rápidos.

Encontre suas leituras

Salve artigos e retome pelo histórico, com sinais de leitura.

Confira antes de compartilhar

No Cheque Fatos, confira uma dúvida, consulte as fontes e compartilhe um story.

Interesses, salvos e histórico ficam neste navegador. Leitura estimada.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência.