


Não há alternativas
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) emitiu uma nota oficial, pedindo desculpas à sociedade brasileira pelo uso de 1.853 cadáveres de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena em aulas de anatomia ao longo do século XX. O hospital psiquiátrico, que se tornou infame pela associação com o conceito de “Holocausto Brasileiro”, é marcado por mais de 60 mil mortes em condições desumanas. Os corpos das vítimas eram comercializados para instituições de ensino entre 1969 e 1981.
A declaração, assinada pela ex-reitora Sandra Regina Goulart Almeida em 18 de março de 2026, reconhece a grave violação da memória e da dignidade das pessoas falecidas nas dependências do hospital. O documento expressa a profunda consternação da UFMG e ressalta a responsabilidade da instituição em relação a esse episódio sombrio da história.
Como parte das medidas de reparação, a UFMG anunciou a criação de espaços de memória na Faculdade de Medicina, além da restauração do livro de registro de cadáveres. A universidade se compromete a incluir o tema em suas disciplinas de anatomia, enfatizando o compromisso com os direitos humanos e a saúde mental, e buscando garantir que tais atrocidades não se repitam.
O uso indevido dos cadáveres destaca a necessidade de uma reflexão mais aprofundada sobre as práticas educacionais e éticas nas instituições de ensino, fazendo ecoar o pedido de verdade e justiça por parte das famílias das vítimas e da sociedade como um todo. A UFMG procura, por meio de suas ações, transformar essa triste parte de sua história em um aprendizado significativo para o presente e o futuro.

Enviado a 3 meses atrás
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